Eita, esse também foi um episódio traumático – para meus pais – logicamente, rs. Se bem que, em comparação ao episódio onde fui esquecido dentro do taxi, neste eu realmente sofri um pouco. Só um pouquinho, juro. Falo isso porque a pessoa que estava comigo era diferente, e com ela as coisas eram bem mais próximas, como são até hoje: minha velha mãe. Bem, canceriano legítimo como eu, de início de decanato (bah, eu faço Psicologia e gosto de astrologia sim, deixem de ser caretas, heheh), infantil que só, sempre fui muito próximo de minha mãe. Num domingo de sol, fomos levados, eu e minha irmã Amanda (Aline não havia nascido na época), para dar um passeio no Parque da Cidade. Após algumas horas caminhando e brincando no local sob a supervisão de minha mãe, Amanda sente vontade de ir ao banheiro. No momento que estava reunindo informações para incluir neste portfólio, minha mãe me falou que havia me avisado que se afastaria até o banheiro químico, pedindo para eu aguarda-la, mas sinceramente não me recordo dessa orientação. Continuei a andar, e como estava de mãos dadas com ela, peguei a mão mais próxima e segui em frente. Só alguns minutos depois, olhei para o lado e o que vi me assustou: aquela não era a minha mãe! Putz, iai? Entrei nos dois labirintos que existem no parque (um em formato tradicional e outro no formado de castelo), saí pelo outro lado, não vi minha mãe de novo, e aí os pensamentos ruins começaram a aparecer, embora eu não estivesse chorando em momento algum. Mesmo com minha mãe ausente, eu permaneci quieto, não chamei atenção e não me comportei de forma incorreta (bem, tirando o fato de me separar dela, heh), pelo contrário. Observando bem, ao sair do labirinto eu estava bem próximo à saída, e lá permaneci, até que um policial veio falar comigo e perguntou o que eu estava fazendo sozinho ali naquele lugar tão grande. Nesse momento, trago o conceito de autocontrole, de Kopp e Wyver (1994 apud Cole & Cole, 2004), que consiste no aprendizado sobre o que deve ou não ser feito, com a capacidade de agir conforme a expectativa de seus cuidadores, mesmo na sua ausência. Mesmo não sendo totalmente consciente, eu achava que ficar quietinho, não andar demais sozinho no parque e principalmente, não sair dele era o que minha mãe esperava que eu fizesse, ou na pior das hipóteses, minha mãe não esperava que eu fizesse o contrário, heh.
Seguindo o caso, ao achar o policial e responder suas perguntas, comecei a caminhar do seu lado, e de alguma forma me sentia seguro dessa maneira, até que encontramos minha mãe, desesperada, logo à frente, depois de alguns minutos andando. Minha mãe descreveu bem o momento, afirmando que fui correndo em sua direção, chorando, enquanto a mesma, também aos prantos, profetizava um monte de castigos quando eu chegasse em casa. Vai entender gente grande, que mostra que gosta, mas fala em castigo, rs. Nesse momento em que vi minha mãe e senti-me bastante feliz e aliviado, faço menção às teorias do apego. Bowby (1984) afirma que o comportamento de apego consiste em uma resposta desencadeada pela necessidade de sobrevivência da espécie e se estabelece a partir do contato entre mãe e bebê, em torno do sentido de proximidade e segurança. Ainsworth (1969) também contribui de forma muito importante no aprofundamento das teorias do apego, estabelecendo categorias de relacionamento mãe-bebê. O que trarei é aquele que, ao meu ver, e parece ser o que foi mais condizente com minhas experiências, que é o apego seguro. Neste tipo de apego, segundo a própria Ainsworth, a relação mãe-bebê é bastante positiva e de grande confiança. Mesmo que haja uma pessoa substituta para o apego em determinado momento, a preferência pela mãe é notória. Balanço final do passeio no parque: roupa suja, brinquedos quebrados, mãe estressada e mais uma peripécia realizada!


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